Prefeitos baianos defendem diálogo com órgãos de controle para conter alta de cachês de São João
A crescente elevação dos custos para a realização dos festejos juninos levou prefeitos baianos a defenderem a abertura de diálogo com os órgãos de contro...
A crescente elevação dos custos para a realização dos festejos juninos levou prefeitos baianos a defenderem a abertura de diálogo com os órgãos de controle para a definição de recomendações e critérios que orientem a contratação de atrações artísticas no período do São João. A pauta entrou no rol de prioridades da União dos Municípios da Bahia (UPB) para este ano O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, destacou a preocupação dos gestores com a disparidade nos valores cobrados por artistas e produtoras, além do impacto da inflação sobre a estrutura dos eventos, como palcos, sonorização e iluminação. Segundo ele, a criação de um tabelamento ou de parâmetros de referência pode trazer mais equilíbrio e segurança às administrações municipais. “Precisamos buscar uma reunião com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas dos Municípios e outros órgãos para alinhar esse entendimento. Talvez seja o momento de criar uma tabela para os municípios, principalmente os menores. Acho que está na hora de tabelar”, afirmou Wilson Cardoso. O prefeito de Jequié, Zé Cocá, que comanda um dos São Joões mais tradicionais do interior baiano, alertou que, mantido o atual cenário, a realização das festas pode se tornar inviável em curto prazo. De acordo com ele, o crescimento acelerado dos custos ameaça uma das maiores manifestações culturais do Nordeste. “Do jeito que as coisas estão, em até três anos nenhum município baiano conseguirá ter condições de realizar o São João. Se este ano for igual ao ano passado, os custos devem aumentar cerca de R$ 5 milhões. Antigamente, com R$ 200 mil você fazia um São João razoável. Hoje, com esse valor, não se contrata nem a produção sonora para o palco”, ressaltou. Wilson Cardoso também citou como exemplo as diferenças de valores pagos por um mesmo artista em cidades vizinhas, o que, segundo ele, evidencia a necessidade de critérios mais claros. “Não é razoável um município contratar uma banda por R$ 600 mil e o município vizinho pagar R$ 400 mil pela mesma atração. Isso não é legal e não pode continuar acontecendo”, declarou. Mesmo reconhecendo a importância das grandes atrações para movimentar a economia local, o presidente da UPB reforçou que o momento pode ser uma oportunidade para valorizar o São João tradicional e autêntico do interior da Bahia, com sanfoneiros e forró pé-de-serra. Prefeito de Riachão do Jacuípe descarta embate com artistas O prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos, reforçou que a discussão não representa um embate com artistas ou produtoras, mas sim uma preocupação com a capacidade financeira dos municípios. Para ele, os preços praticados atualmente parecem seguir uma lógica própria, distante dos indicadores econômicos tradicionais. “É importante deixar claro que não é nada contra as produtoras ou contra os artistas. O problema é que, para os municípios, se tornou inviável fazer eventos de grande porte como no passado. Existe uma inflação que parece ter criado um indexador próprio, que não obedece a nenhuma taxa ou parâmetro conhecido”, afirmou. A UPB pretende agora articular reuniões com o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) para discutir alternativas que garantam transparência, equilíbrio fiscal e a continuidade dos festejos juninos, preservando uma das tradições culturais mais importantes da Bahia e do Nordeste.